Goiânia cresce, mas o planejamento não acompanha
A capital goiana é uma das cidades que mais crescem no Brasil. O crescimento acelerado traz oportunidades — e desafios que a gestão municipal ainda não resolveu.
Goiânia cresceu. Não é novidade — a cidade cresce há décadas, atraindo migrantes de todo o Brasil com sua economia dinâmica, custo de vida relativamente menor que as grandes metrópoles e qualidade de vida que, até recentemente, era considerada superior à média nacional.
Mas crescimento acelerado sem planejamento adequado tem um preço. E Goiânia está começando a pagar esse preço de formas que ficam cada vez mais visíveis no cotidiano de seus moradores.
O trânsito que ninguém esperava
Quem conheceu Goiânia há vinte anos e volta hoje fica surpreso com o trânsito. A cidade que tinha fluidez invejável agora enfrenta congestionamentos que se estendem por horas nos horários de pico. A frota de veículos cresceu muito mais rápido do que a infraestrutura viária — e o transporte público não conseguiu absorver a demanda.
O metrô de Goiânia, que deveria ter sido expandido há anos, continua com uma única linha que atende uma fração da cidade. Ônibus superlotados e irregulares completam um quadro de mobilidade urbana que está longe do que uma cidade do tamanho e da riqueza de Goiânia deveria oferecer.
A periferia que cresceu sem infraestrutura
O crescimento de Goiânia não foi uniforme. Enquanto alguns bairros receberam investimentos em infraestrutura, serviços e qualidade urbana, a periferia cresceu de forma acelerada e desordenada, com ruas sem pavimentação, saneamento precário e acesso limitado a serviços básicos.
Essa divisão entre uma cidade "formal" bem servida e uma periferia negligenciada não é exclusividade de Goiânia. Mas é especialmente visível aqui, onde o contraste entre os bairros nobres e as regiões periféricas é marcante.