Saúde

Saúde pública em Goiás: o SUS que funciona e o que não funciona

Patrícia Borges Patrícia Borges · Editora-chefe 2026-04-14 Atualizado: 2026-04-15
Saúde pública em Goiás: o SUS que funciona e o que não funciona

O sistema de saúde goiano tem ilhas de excelência e desertos de atendimento. Entender por que é essencial para melhorá-lo.

O SUS em Goiás é uma história de contradições. O estado tem hospitais de referência que atendem pacientes de toda a região Centro-Oeste com qualidade reconhecida nacionalmente. E tem municípios do interior onde a única unidade de saúde funciona dois dias por semana, sem médico fixo, sem equipamentos básicos.

Essa desigualdade não é acidente. É o resultado de décadas de escolhas sobre onde investir, quem priorizar e como organizar um sistema de saúde em um estado de dimensões continentais.

Os hospitais que funcionam

O Hospital das Clínicas da UFG, o Hugo e o Araújo Jorge são referências regionais que atendem casos complexos que municípios menores não têm capacidade de tratar. Esses hospitais funcionam — com limitações, com filas, com problemas de gestão como qualquer instituição pública de grande porte, mas funcionam.

O problema é que eles absorvem uma parcela desproporcional dos recursos e da atenção da política de saúde estadual. Enquanto a atenção básica — que deveria resolver 80% dos problemas de saúde da população — é cronicamente subfinanciada.

A atenção básica que resolve — quando existe

Municípios que investiram em atenção básica de qualidade — com equipes de saúde da família bem estruturadas, agentes comunitários ativos e unidades básicas de saúde bem equipadas — apresentam resultados consistentemente melhores em indicadores de saúde e, paradoxalmente, gastam menos com internações e procedimentos de alta complexidade.

A lógica é simples: prevenir é mais barato do que tratar. Mas a política de saúde, em Goiás como em muitos outros estados, ainda privilegia o investimento em hospitais de alta complexidade — que são mais visíveis, mais fáceis de inaugurar e mais úteis eleitoralmente do que postos de saúde bem equipados no interior.


Patrícia Borges
Patrícia Borges
Editora-chefe

Jornalista goiana com vinte anos de carreira. Cobriu o crescimento de Goiânia de cidade regional a metrópole nacional, com foco em urbanismo, saúde pública e economia do agronegócio.

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